Login:
Senha:
  Senha
LabPlusLabMasterLabNewsEspañol

 

   Digite seu e-mail:

Síntese de Monografia sobre Hematologia

FREQÜÊNCIA DE ANEMIAS, ATRAVÉS DA INTERPRETAÇÃO DO ERITROGRAMA POR AUTOMAÇÃO, NO CHAGAS LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS EM UBAITAITA – BAHIA

Autor: Francisco das Chagas Ferreira

Farmacêutico/Bioquímico

Síntese da Monografia para conclusão do Curso de Especialização em Hematologia Clínica.

Apresentada a Universidade de Guarulhos e Atualiza Associação Cultural.

Aprovada em Janeiro 2004, Salvador / Bahia.


Endereço para Correspondência:

chagaslab@uol.com.br


Prof.ª. Orientadora: Maria de Lourdes Pires Nascimento, MD.


INTRODUÇÃO


Anemia é uma doença muito antiga, pois já foi descrita desde 1.500 anos Antes de Cristo em um manual egípcio sobre terapêutica (Bryan, 1931).

A anemia é uma das enfermidades mais prevalentes em todo o mundo, especialmente nos países em desenvolvimento, devido a desnutrição, infestações parasitárias, falta de saneamento básico, desinformação em relação aos seus sinais e sintomas. Entretanto nos países desenvolvidos, em conseqüência da presença das doenças crônicas, também não são raras as anemias.

Segundo Duncan et al. (1996) no total de pacientes internados em hospitais gerais, 10 % são anêmicos.

Para Zago, M. A. et al. (2001), anemia é um termo que se aplica ao mesmo tempo, a uma síndrome e a um quadro laboratorial em que no sangue encontramos diminuição do Hematócrito (Hct), da Concentração de Hemoglobina (Hgb) ou da quantidade de Eritrócitos (Hm) por unidade de volume, quando estes mesmos parâmetros do sangue são comparados com uma população de referência.

Belligham (1976) dá um conceito mais amplo, pois define anemia como sendo a alteração do transporte de oxigênio tendo como conseqüência a hipóxia dos tecidos. Isto significa que qualquer condição que provoque diminuição de oxigênio nos tecidos dará origem a uma anemia, mesmo que os valores de hemoglobina, do hematócrito e/ou da quantidade de eritrócitos estejam dentro de limites considerados normais.

Ao longo dos anos do exercício profissional no Chagas Laboratório de Análises Clínica na cidade de Ubaitaba no estado da Bahia, temos observado, em resultados de Eritrogramas por automação, em pacientes atendidos pelo convênio Sia-Sus, alterações relevantes que já estão referidas como sendo características das anemias, e que nem sempre existem valores de Hemoglobina abaixo do limite normal. Esta observação foi a grande motivação que deu origem ao presente trabalho.


Sintomatologia Clínica das Anemias e Resultados da Automação Laboratorial

Antes do advento dos modernos equipamentos eletrônicos, as anemias eram caracterizadas pelos resultados diminuídos do Hematócrito e da Dosagem de Hemoglobina, pois os mesmos ofereciam maior facilidade de padronização (Lee, et al. 1998).

Sdepanian et al (1996) referem que o diagnóstico inicial de anemias adquiridas através do exame físico é limitado.

Sabe-se que nas anemias microcíticas adquiridas, principalmente naquela que é a mais freqüente – anemia por deficiência de ferro – existe um estágio denominado de anemia latente, em que há redução dos estoques de ferro, sem existir sintomatologia clínica evidente (Baruzzi, et al. 1998; Job, 1988; Guerra, 1988; Fonseca, et al. 1989; Aliendres, 1999; Cook, 1999).

Vários autores passaram a questionar os critérios laboratoriais até então existentes para o diagnóstico de anemia, principalmente, por causa da ausência de sintomatologia clínica nos estágios iniciais, quando também nem sempre se encontrava valores diminuídos de Hemoglobina e Hematócrito.

  • Brandalise et al. (1981): “na quase totalidade dos casos, o diagnóstico de anemias ferroprivas só é feito quando já ocorreram diminuições significativas da taxa de hemoglobina”.

  • Anisocitose é o primeiro sinal morfológico das anemias, e nesta fase as alterações morfológicas ainda não são muito evidentes (Silva & Hashimoto, 1999; Bain, 1997).

Com o avanço tecnológico e o surgimento da automação, melhorou a precisão e reprodutibilidade de vários exames do eritrograma, e entre estes foram beneficiados o Volume Globular Médio, a Contagem de Hemácias, a Dosagem de Hemoglobina e a Hemoglobina Globular Média.

Estes fatos aumentaram a importância e a necessidade de estudos sobre os resultados de eritrogramas por automação, porque estes vem sendo capazes de evidenciar estágios iniciais de anemias adquiridas, por causa do seu tipo de metodologia e também da existência de novas avaliações, tais como o RDW e o Histograma Eritrocitário (Bellingham, 1976; Green, 2001; Nascimento et al. 2001).

Atualmente, para diagnóstico inicial de anemias (screening), através dos resultados de automação, se prefere os critérios laboratoriais que utilizam os resultados do VCM e do HCM (Braga et al. 1995; Silva & Hashimoto, 1999), associados a interpretação do RDW.

Nascimento et al. (2003 a) em resultados de eritrogramas da automação, encontraram alterações eritrocitárias tais como microcitoses, hipocromias e hipercromias em casos cujos valores de hemoglobina estiveram dentro dos limites normais.

Associação dos resultados do VCM, RDW e Histograma tem sido usado para a identificação das principais categorias das anemias: Normocíticas, Microcíticas e Macrocíticas (Silveira, 1998):

  1. Anemias Normocíticas: quando o resultado da média de todos os volumes das hemácias analisadas (VCM fL) estiverem dentro dos limites do valor normal.

  2. Anemias Microcíticas: quando o VCM fL apresentar um valor abaixo do normal.

3) Anemias Macrocíticas: VCM fL apresentar valor acima do normal.

Nas Anemias Normocíticas e Microcíticas podemos ter valores normais e ou elevados para o RDW-CV e o RDW-SD, constituindo os subgrupos de determinadas anemias (Nascimento, Ferreira & Coutinho Júnior 2003b).


OBJETIVOS


Em pacientes do Chagas Laboratório de Análises Clínicas, da cidade de Ubaitaba no estado da Bahia:

1.Levantar a freqüência de anemias Normocíticas, Microcíticas e Macrocíticas, através da interpretação de resultados dos Eritrogramas por Automação.

2. Para o tipo de anemia que tiver maior prevalência, comparar a freqüência de casos por Faixa Etária e Sexo.


METODOLOGIA


Amostra deste estudo foram os pacientes que no período de 22 de abril de 2003 a 12 de junho de 2003, procuraram o Chagas Laboratório de Análises Clínicas, na cidade de Ubaitaba – Bahia, para realizar Hemogramas que tinham sido encaminhados com solicitação médica através do convênio Sia-Sus.

Em todos os pacientes foi aplicado um questionário semi-estruturado composto dos seguintes itens: nome completo, data do nascimento / idade / faixa etária, sexo, cidade onde nasceu, cidade em que trabalha ou reside, profissão e/ou atividade principal, cópia do resultado do hemograma executado por contador automático.

Foram excluídos da amostra: crianças abaixo de 1 ano de idade e gestantes.

Após a seleção foram triados 1016 indivíduos, nos quais tinham sido feitas coletas sangüíneas (com anticoagulante), por punção venosa com paciente na posição sentada, após período de jejum de 8 a 12 horas, com atividade física normal. O processamento das amostras de sangue foi feito no contador hematológico, modelo KX-21N com 18 parâmetros da Sysmex Reagents America Inc. A execução dos eritrogramas foi feita até no máximo duas horas após a coleta, sendo inicialmente as amostras homogeneizadas no homogeneizador da Hemoquímica, Modelo H1.

Na dependência da idade os casos foram reunidos, por faixa etária em: Infância (1 a 10 anos),

Adolescência (11 a 17 anos), Adulta (18 a 59 anos) e Idosa (a partir de 60 anos).

Para os exames do Eritrograma, estes foram os valores considerados de referência (Silva & Hashimoto, 1999; Villas Boas et al. 2001):

Dosagem de Hemoglobina: Hgb de 11 a 18 g/dL

Volume Globular Médio: VCM de 80 a 99 fL

Hemoglobina Globular Média: HCM de 26 a 34 pg

Concentração de Hemoglobina Globular Média: CHCM de 31.6 a 35.5 %

RDW-CV: de 12.0 a 14.4 %

RDW-SD: de 38.6 a 49.1 fL.

Na dependência dos resultados do VCM fL e do HCM pg os casos deste trabalho foram reunidos em 5 Grupos de Estudo:

  1. Normocitose + Normocromia: presença de valores de VCM fL e HCM pg dentro dos limites normais. Este grupo serviu de referência para as análises estatísticas com os outros grupos.

  2. Normocitose + Hipocromia: VCM fL normal e HCM pg abaixo do valor normal.

  3. Microcitose + Normocromia: VCM fL abaixo do valor normal e HCM pg no limite do valor normal.

  4. Microcitose + Hipocromia: VCM fL e HCM pg, ambos, abaixo dos seus respectivos valores normais.

  5. Macrocitose: VCM fL acima do valor normal.

Para as análises estatísticas foi usado o Programa Epi-Info, Testes de Kruskal-Wallis H e Mantel-Haenszl, com níveis de significância p<0.05, adotando-se as seguintes siglas: S = significante e NS = não significante.


RESULTADOS



Tabela I – Freqüência de Casos por Faixa Etária e Sexo


Faixas Etárias

Masculino

Feminino

Total

f

%

f

%

f

%

Infância (1 a 10 anos)

115

31.8

112

17.1

227

22.3

Adolescência (11 a 17 anos)

64

17.7

94

14.4

158

15.6

Adulta (18 a 59 anos)

123

33.9

355

54.3

478

47.0

Idosa (acima de 59 anos)

60

16.6

93

14.2

153

15.1

Total

362

100.0

654

100.0

1016

100.0





Tabela II – Freqüência de Casos com Valores Diminuídos, Normais e Elevados para: Hgb, CHCM,

VCM e HCM.

______________________________________________________________________________

Hgb CHCM VCM HCM

Tipo de Resultado f.............% f...............% f..............% f...............%

_____________________________________________________________________________


Diminuído 83...........8.2 90............8.9 185..........18.2 157........15.5


Normal 933........91.8 924.........90.9 826.........81.2 858........84.4


Elevado -...........- 2...........0.2 5..........0.5 1.........0.1

_____________________________________________________________________________


Total 1016......100.0 1016.......100.0 1016......100.0 1016.....100.0

_____________________________________________________________________________










Tabela III – Grupos com Tipos de Resultados Associados do VCM e HCM, Nomenclatura

Utilizada e Freqüência de Casos


Tipo de Resultado do VCM Nomenclatura Utilizada ou f...................%

com o HCM Grupos de Estudo

VCM Normal + HCM Normal Normocitose + Normocromia 803................79.0

VCM Normal + HCM Diminuído Normocitose + Hipocromia 21..................2.1

VCM Diminuído + HCM Normal Microcitose + Normocromia 49..................4.8


VCM Diminuído + HCM Diminuído Microcitose + Hipocromia 136.................13.4

VCM Elevado Macrocitose 5..................0.5


Outros Resultados Outras Associações 2..................0.2

_____________________________________________________________________________


Total 1016.............100.0












Tabela IV – Grupos de Estudo e Exames do Eritrograma: Valores Médios e D.P.


Exames do Normocitose + Normocitose + Microcitose + Microcitose + Macrocitose

Eritrograma Normocromia Hipocromia Normocromia Hipocromia (N = 5)

(N = 803) (N = 21) (N = 49) (N = 136)

Hm / mm3 4.531.000 4.694.000 4.563.000 4.722.000 3.960.000

(+ 401.000) (+ 665.000) (+ 322.000) (+ 430.000) (+ 177.000)


Hgb g/dL 13.1 (+ 1.2) 12.3 (+ 1.4) 12.1 (+ 0.8) 11.1 (+ 1.4) 13.2 (+ 0.6)


Hct % 39.5 (+ 3.3) 38.9 (+ 4.3) 35.6 (+ 2.6) 35.2 (+ 3.6) 39.9 (+ 1.6)


VCM fL 87.3 (+ 4.1) 81.4 (+ 1.0) 78.5 (+ 1.0) 74.7 (+ 4.4) 100.6 (+ 0.4)


HCM pg 29.0 (+ 1.6) 25.5 (+ 0.3) 26.5 (+ 0.4) 23.6 (+ 2.2) 33.2 (+ 0.5)


CHCM % 33.3 (+ 0.9) 31.4 (+ 0.5) 33.7 (+ 0.6) 31.6 (+ 1.6) 33.0 (+ 0.6)


RDW-CV % 12.8 (+ 0.9) 13.5 (+ 1.5) 13.3 (+ 1.6) 14.8 (+ 2.2) 12.4 (+ 1.2)


RDW-SD fL 43.2 (+ 3.0) 42.5 (+ 3.8) 39.6 (+ 4.1) 41.5 (+ 3.6) 48.0 (+ 3.7)



Tabela V– Grupo Normocitose + Normocromia X os Outros Grupos de Estudo: Significâncias dos

Exames do Eritrograma - Kruskal-Wallis H (p<0.05)


NORMOCITOSE + NORMOCROMIA X

___________________________________________________________________

Exames do Normocitose + Microcitose + Microcitose + Macrocitose

Eritrograma Hipocromia Normocromia Hipocromia

Hm NS (p=0.09) NS (p=0.47) S (p=0.00) S (p=0.00)

Hgb S (p=0.00) S (p=0.00) S (p=0.00) NS (p=0.81)


Hct NS (p=0.57) S (p=0.00) S (p=0.00) NS (p=0.64)


VCM S (p=0.00) S (p=0.00) S (p=0.00) S (p=0.00)


HCM S (p=0.00) S (p=0.00) S (p=0.00) S (p=0.00)

CHCM S (p=0.00) S (p=0.00) S (p=0.00) NS (p=0.47)


RDW-CV S (p=0.02) S (p=0.00) S (p=0.00) NS (p=0.24)


RDW-SD NS (p=0.06) S (p=0.00) S (p=0.00) S (p=0.00)














Tabela VI – Freqüência de casos dos Grupos de Estudo por Faixa Etária

_____________________________________________________________________________


Tipo de Infância Adolescência Adulta Idosa Total

Associação ou f............% f.........% f..........% f.........% f..........%

Grupos de Estudo

_____________________________________________________________________________


Normocitose

+ 107......47.1 127.....80.4 426.....89.1 143......93.5 803.....79.0

Normocromia



Normocitose

+ 4.........1.8 5.......3.2 11.......2.3 1........0.6 21......2.1

Hipocromia



Microcitose

+ 34.......14.9 9......5.7 4........0.8 2........1.3 49......4.8

Normocromia



Microcitose

+ 81.....35.8 17...10.7 33......7.0 5........3.4 136.....13.4

Hipocromia



Macrocitose -..........- -..........- 4.......0.8 1........0.6 5.......0.5



Outras

Associações 1.........0.4 -..........- -...........- 1........0.6 2.......0.2


_____________________________________________________________________________


Total 227.....100.0 158..100.0 478...100.0 153....100.0 1016...100.0

_____________________________________________________________________________



















Tabela VII – Grupo Microcitose + Hipocromia: Freqüência de Casos por Sexo e Faixa Etária

______________________________________________________________________________


Infância Adolescência Adulta Idosa Total

Sexo f...........% f............% f.............% f..........% f...........%

_____________________________________________________________________________


Masculino 47.......58.0 9.......52.9 4...........12.1 -...........- 60........44.1


Feminino 34.......42.0 8.......47.1 29...........87.9 5.....100.0 76........55.9

_____________________________________________________________________________


Total 81....100.0 17....100.0 33.........100.0 5....100.0 136......100.0

_____________________________________________________________________________

Significância: Mantel – Haenszel (p<0.05)


Masculino X Feminino


Infância X Adolescência...........NS (p=0.70)


Infância X Adulta........................S (p=0.00)


Adolescência X Adulta ..............S (p=0.00)

_______________________________________________________________




DISCUSSÃO


Características da Amostra Analisada


Tabela I – No total da amostra analisada, a faixa etária Adulta, apresentou maior freqüência dos casos = 47.0 %. Este fato foi o mesmo, em relação aos dois sexos, porque no total do sexo Masculino a maior freqüência = 33.9 %, foi de adultos, assim como para o sexo Feminino, 54.3 % foram adultos.

A Infância correspondeu a 22.3 % no total dos casos da amostra analisada.


Exames do Eritrograma que são Indicadores de Anemia


Na Tabela II vemos que:

  1. Para os antigos indicadores de anemia – valores diminuídos Hgb e CHCM – tivemos Hgb diminuído = 8.2 % dos casos e CHCM diminuído = 8.9 % dos casos;

  2. Para os indicadores de anemia que são preconizados para os resultados de eritrogramas por automação – valores diminuídos de VCM fL e HCM pg - tivemos VCM = 18.2 % dos casos e HCM = 15.5 % dos casos;

  3. Comparando-se os resultados dos itens anteriores, vemos que, através dos resultados diminuídos de VCM e HCM podemos detectar maior número de casos que já apresentam resultados que são característicos de anemias.

Os resultados do presente trabalho sobre VCM e HCM, estão de acordo com referencias anteriores pois valores de Hgb, HCT e CHCM dentro dos limites considerados normais não são bons indicadores de anemias, porque muitos destes casos podem já estar apresentando valores diminuídos de HCM e VCM (Nascimento et al. 2003 a; Nascimento et al. 2004).

Em exames executados por automação hematológica, quando o valor médio do HCM pg começa a diminuir, é hoje considerado o melhor indicador da presença de Hipocromia (Silva & Hashimoto, 1999; Nascimento, et al. 2003a). A Hipocromia é uma das características laboratoriais de diversas anemias.

A importância da Microcitose foi bem sintetizada por Mach-Pascual et al. (1996), quando referem que é o achado laboratorial mais prevalente em exames laboratoriais.

Em nossos resultados – Tabela III - quando se associou os resultados do VCM e HCM normais e diminuídos, podemos observar que entre os grupos com valores diminuídos, aqueles que apresentaram maior freqüência foi associação do MCV + HCM diminuídos, denominado Microcitose + Hipocromia = 13.4 %. Este fato tem grande importância clínica e laboratorial porque o aparecimento da microcitose com hipocromia é o último estágio da anemia por deficiência de ferro (Sigulem, 1988; Rosenfield et al. 1987; Guerra, 1988). Anemia por deficiência de ferro é a causa mais importante e freqüente das anemias adquiridas microcíticas hipocrômicas


Normocitose + Normocromia versus Normocitose + Hipocromia


Tabelas IV e V – Os casos que apresentaram somente valores do HCM abaixo do normal porém com valor de VCM dentro dos limites normais – Grupo Normocitose + Hipocromia - apresenta a maioria dos exames do eritrograma: Hgb, VCM, HCM e CHCM com valores médios menores (significantes) do que os do grupo com Normocitose + Normocromia:

Hgb g/dL: Normocitose + Hipocromia = 12.3 (+ 1.4) e Normocitose + Normocromia = 13.1 (+ 1.2);

VCM fL: Normocitose + Hipocromia = 81.4 (+ 1.0) e Normocitose + Normocromia = 87.3 (+ 4.1);

HCM pg: Normocitose + Hipocromia = 25.5 (+ 0.3) e Normocitose + Normocromia = 29.0 (+ 1.6);

CHCM %: Normocitose + Hipocromia = 31.4 (+ 0.5) e Normocitose + Normocromia = 33.3 (+ 0.9).

Entretanto, os valores menores para Hgb e VCM do grupo Normocitose + Hipocromia ainda estão dentro dos limites de normalidade que foram considerados para estes exames, ou seja: Hgb g/dL de 11 a 18 e VCM fL de 80 a 99.

Entre estes dois grupos merece destaque o valor do RDW-CV do grupo Normocitose + Hipocromia que tem valor médio mais elevado (significante) = 13.5 % (+ 1.5) que o do grupo Normocitose + Normocromia = 12.8 % (+ 0.9).

Os valores médios do RDW-CV destes dois grupos estão dentro dos limites considerados normais que são: RDW-CV de 12.0 % a 14.4 %.

Em vista do RDW-CV ser um índice que reflete a anisocitose, é provável que o grupo Normocitose + Hipocromia sejam aqueles casos que comumente são Normocíticos mas denominados através da observação por Microscopia Ótica de Hipocromia e Anisocitose Discretas.

Para a presença de Anemia Normocítica + Hipocromia, Miayamaru et al. (1994) em idosos hospitalizados, encontraram 72.4 % dos casos com este tipo de anemia.


Normocitose + Normocromia versus Microcitoses


1) Normocitose + Normocromia versus Microcitose + Normocromia: Tabelas IV e V

O grupo Microcitose + Normocromia com exceção de Hm / mm3, apresenta todos os outros exames do eritrograma com diferenças de valores médios significantes. Sendo que para Hgb, Hct, HCM e RDW-SD os valores médios foram menores que os do grupo Normocitose + Normocromia:

Hgb g/dl: Microcitose + Normocromia = 12.1 (+ 0.8) e Normocitose + Normocromia = 13.1 (+ 1.2);

Hct %: Microcitose + Normocromia = 35.6 (+ 2.6) e Normocitose + Normocromia = 39.5 (+ 3.3);

HCM pg: Microcitose + Normocromia = 26.5 (+ 0.4) e Normocitose + Normocromia = 29.0 (+ 1.6) e

RDW-SD fL: Microcitose + Normocromia = 39.6 (+ 4.1) e

Normocitose + Normocromia = 43.2 (+ 3.0).

Os valores de Hgb, Hct , HCM e RDW-SD do grupo Microcitose + Normocromia estão dentro dos limites considerados normais.

O valor médio do RDW-CV do grupo Microcitose + Normocromia foi mais elevado = 13.3 % (+ 1.6) que o do grupo Normocitose + Normocromia = 12.8 % (+ 0.9), porém ambos estão dentro dos limites normais.

Em vista do grupo Microcitose + Normocromia apresentar HCM com valor menor (porém dentro dos limites normais) e RDW-CV mais elevado (dentro dos limites normais), é provável que estes sejam os casos com Microcitose, porém denominados de Hipocromia e Anisocitose Discretas através da observação por Microscopia Ótica.


2) Normocitose + Normocromia versus Microcitose + Hipocromia: Tabelas IV e V

O grupo com Microcitose + Hipocromia apresenta todos os exames do eritrograma com diferenças de valores médios (significantes) em relação ao grupo Normocitose + Normocromia. Sendo que foi o único grupo que apresentou o valor médio do RDW-CV mais elevado e acima do normal que é de 12.0 a 14.4 %:

RDW-CV %: Microcitose + Hipocromia = 14.8 (+ 2.2) e Normocitose + Normocromia = 12.8 (+ 0.9).

O grupo Microcitose + Hipocromia também foi o único grupo que apresentou o maior valor médio (significante) para Hm / mm3:

Hm / mm3: Microcitose + Hipocromia = 4.722.000 (+430.000) e

Normocitose + Normocromia = 4.531.000 (+ 401.000).

Todos os resultados do grupo Microcitose + Hipocromia já estão referidos como característicos das Anemias Microcíticas Hipocrômicas, sendo que este é o quadro dos resultados laboratoriais no último estágio para este tipo de anemia (Sigulem, 1988; Rosenfield et al. 1987; Guerra, 1988).


Normocitose + Normocromia versus MacrocitoseTabelas IV e V


Nos casos com Macrocitose encontramos os resultados que já estão referidos em literatura para este tipo de Anemia (Wintrobe et al. 1979), além do valor médio acima do normal para o VCM fL, o menor valor médio para Hm / mm3 e maiores valores médios para HCM pg e RDW-SD fL.

VCM fL: Macrocitose = 100.6 (+ 0.4) e Normocitose + Normocromia = 87.3 (+ 4.1),

Hm / mm3: Macrocitose = 3.960.000 (+ 177.000) e Normocitose + Normocromia = 4.531.000 (+ 401.000);

HCM pg: Macrocitose = 33.2 (+ 0.5) e Normocitose + Normocromia = 29.0 (+ 1.6) e

RDW-SD fL : Macrocitose = 48.0 (+ 3.7) e Normocitose + Normocromia = 43.2 (+ 3.0).

A presença de hemácias macrocíticas além das deficiências de acido fólico e vitamina B12 (Calvo Romero et al. 1999; Pita Rodriguez, 1998), também tem sido referida em fumantes (German, 1992).


Faixas Etárias e as Freqüências dos Diversos Grupos para Microcitose e Hipocromia – Tabela VI

Em nossos resultados a Infância foi a faixa etária que teve maior freqüência para os casos com Microcitose + Hipocromia = 35.8 % dos casos.

Geralmente, os estudos sobre Anemias Microcíticas Hipocrômicas se concentram na Infância e nas classes sociais de baixo poder aquisitivo, sendo que as anemias adquiridas mais freqüentes na população, estão associadas a um ou mais de um destes fatores: deficiência de ferro, presença das infestações parasitárias e desnutrição.

As freqüências elevadas de anemias adquiridas na Infância tem sido referida por diversos autores:

  • Neuman et al. (2000) observaram no sul do Brasil que 40 % de um total de 476 crianças estavam anêmicas, sendo elas com menos de 3 anos e da classe social com maior renda.

  • Tsuyoka et al. (1999) em 360 estudantes de escolas públicas na cidade de Aracajú / Sergipe, na faixa etária de menos de 8 anos, encontrou prevalência de 26.7 % de anêmicos.

  • Assis et al. (1997), pesquisando a distribuição da anemia em pré-escolares do semi-árido da Bahia detectaram presença de 50 % nas crianças entre 12 e 23 meses de idade.

Na Infância entre as principais conseqüências da Anemia Microcítica Hipocrômica estão: comprometimento do desenvolvimento físico e cognitivo, deficiência do sistema imunocompetente (Monteiro, et al. 1986)

Entretanto podemos observar na Tabela VI que a Microcitose + Hipocromia também esteve presente nas outras faixas etárias com freqüências entre 3.4 % a 10.7 %.

Em relação a classe social, uma pesquisa realizada em Adolescentes de duas classes sociais (médio e baixo poder aquisitivo) evidenciou a presença da microcitose com freqüências de casos entre 10.8 % a 21.1 % nas duas classes sociais (Nascimento et al. 2003 c).

Apesar de se dar mais ênfase aos estudos de Microcitose + Hipocromia na faixa etária da Infância, observando-se a Tabela VII, vemos que no total dos casos que apresentaram Microcitose + Hipocromia (N = 136) quando se comparam os casos por Sexo nas diversas Faixas Etárias, foi o sexo Feminino e na Faixa Etária Adulta que apresentou a maior freqüência de casos = 87.9 % para Anemia Microcítica Hipocrômica.

No Sexo Feminino e na Faixa Etária Adulta, a grande freqüência de Anemia Microcítica Hipocrômica pode ser decorrente de deficiências nutricionais, infestações parasitárias, abortos e doenças ginecológicas (Nascimento et al. 1994).

Esta grande freqüência para as anemias adquiridas no sexo feminino e na idade adulta já foi referida por outros autores, em trabalhos desenvolvidos na cidade do Salvador / Bahia:

  • em estudantes universitários, 4.5 % dos homens e 29.8 % das mulheres (Nascimento et al. 1984);

  • em candidatos inaptos à doação de sangue, 24.0 % das mulheres e 9.3 % dos homens (Campos et al. 1994).

Isto significa que os fatores responsáveis pelo aparecimento das Anemias Microcíticas e Hipocrômicas não se restringe somente a Infância, nem a classe social de baixo poder aquisitivo, mas é um problema presente em todas as faixas etárias.


CONCLUSÕES


A determinação do caráter anêmico de uma dada região apresenta importância para a saúde pública, pois poderá levantar evidências de situações tais como: infestações parasitárias, carências alimentares, doenças crônicas, além de propiciar aconselhamento e ajuda terapêutica quando se diagnosticar os casos das anemias genéticas hemolíticas tais como doença falciforme e talassemias.


REFERENCIAS


ALIENDRES, O. Anemia nutricionales, Caracas – Caligraphy, C. A., 1999; ene, 297-312.

ASSIS, A. M. O. et al. Distribuição da anemia em pré-escolares do semi-árido da Bahia. Caderno de Saúde Publica, n0 13, vol. 2, abr-jun., 1997; 237-243.

BAIN, B. J.: Células Sangüíneas: um guia prático. 2a ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997; p.48- e 204.

BARUZZI, M. J. M. et al. Diagnóstico e tratamento da anemia ferropriva. In: Boletim, vol. X, no. 149, 1988; p.108-115.

BELLINGHAM. A .J.: Los hematies y su adaptacion a la hipoxia anemica , In: Clinica Hematológica, vol. 2, no 3. cap. Barcelona, Espanha: Salvat , 1976; p.1-18.

BRAGA, J. A. P. et al. Anemia Carencial: aspectos clínicos e laboratoriais. Laes & Haes, ano XVI, no. 95, jun / jul. 1995; p. 46-56.

BRANDALISE, S. R. & MATSUDA, E.: Anemias carenciais, In.: Nóbrega, F. Desnutrição intra-uterina e pós-natal. São Paulo, Panamed. Editorial, 1981, p. 395-405.

BRYAN, C. P. The Papyrus Ebers. Appleton , Century, Crofts, New York, 1931.

CALVO ROMERO, J. M. et al. Anemia perniciosa y otras anemias megaloblasticas. An. Med. Interna, no. 16, vol. 12, 1999; p. 626-629.

CAMPOS, M. C.; NASCIMENTO, M.L.P et al. Causas de inaptidão em candidatos a doação de sangue da Fundação de Hematologia e Hemoterapia da Bahia, Hemoba. In: Anais do XXI Congresso Brasileiro de Hematologia, S. Paulo, 1994; p. 153.

COOK, J. The nutritional assessment of iron status. Arch. Latinoam Nutr. no. 49, vol.3 Suppl 2, sep, 1999; p. 11S-14S.

DUNCAN, B. B. et al. Medicina Ambulatorial: condutas clínicas em atenção primária. 2ª ed. Artes Médicas Sul Ltda, 1996.

FONSECA, L. M. et al. Prevalência de anemia ferropriva e níveis de depleção de ferro em escolares da região do vale do Ribeira, Estado de São Paulo. In: Rev. Cienc. Farm. no. 11, 1989, p. 43-50.

GERMAN, A. K.: The erythrocyte composition of the peripheral blood in tobacco smokers. Lik Sprava; julho, 1992, vol. 7; p.40-42.

GREEN, R.: Anemia Diagnosis at the End of the Second Millennium [on line] Disponível em: www.labnews.com/guest_speakers/green.shtml >. Acesso em 26 de março de 2001.

GUERRA, C. C. C. Carência de ferro . In: Boletim, vol. X, no. 149, 1988, p. 88-91.

JOB, F. O. Metabolismo do Ferro. In: Boletim, vol. X, no. 149, 1988; p.108-115.

LEE, G.R. et al. Wintrobe Hematologia Clinica 1a. Ed. Bras. São Paulo: Manole, 1998; p.736-791.

MACH-PASCUAL, S.et al. Investigation of microcytosis: a comprehensive approach. In: Eur. H. Haematol.; no. 57, vol. 1, jul. 1996; p. 54-61.

MIYAMARU, Y.R. et al. Estudo morfológico da anemia em idosos. Rev. Inst. Adolfo Lutz. no. 54, vol. 2, 1994; p. 83-7.

MONTEIRO, C. A . Estudo das condições de saúde das crianças do Município de São Paulo, S. P. (Brasil), 1984-1885. Aspecto metodológico, características sócio-econômicas e ambiente físico. Rev. Saúde Publ. S. Paulo. no. 20, 1986, p. 435-45.

NASCIMENTO, M. L. P. et al. Valores do Eritrograma e queixas clínicas em estudantes universitários residentes em Salvador. F. Méd (BR), 1984, no.89, vol.3; p. 167-17.

NASCIMENTO, M. L. P. et al. Freqüência das doenças hematológicas no Ambulatório da fundação de Hematologia e Hemoterapia da Bahia – HEMOBA. In.: Anais do XXI Congresso Brasileiro de Hematologia e Hemoterapia, S. Paulo, outubro, 1994; p. 111.

NASCIMENTO, M. L. P. et al. Importância da Avaliação do RDW em relação aos Valores de Ferritina. NewsLab, Ano IX, no. 44, Fev/Mar., 2001; p. 86-96.

NASCIMENTO, M. L. P. et al. Por que não se deve utilizar, para diagnósticos iniciais de anemias, somente os resultados do Hematócrito e da Hemoglobina? NewsLab, Ano XI, no.56, Fev. / Mar, 2003 a, p. 116-30.

NASCIMENTO, M. L. P.; FERREIRA, F. C. & COUTINHO JR. Por que se deve Interpretar o RDW-SD junto com os outros Exames do Eritrograma? NewsLab, ano XI, no. 57, Abr. / Maio, 2003 b; p.166-181.

NASCIMENTO, M. L. P. & SILVA, L. L. Microcitose, Adolescentes e Classes Sociais. Labor News, ano 13, no. 131, Set / 2003 c; p.20-26.

NASCIMENTO, M. L. P et al. A Concentração de Hemoglobina Globular Média (MCHC%) não é o melhor indicador da hipocromia. Laes & Haes, Ano 25, N. 147, pgs 130-144, fevereiro / março, 2004.

NEUMAN, N. A. et al. Prevalência e fatores de risco para anemia no sul do Brasil. Rev. Saúde Pública; no. 34, vol.1, Fev. 2000; p. 56-63.

PITA RODRIGUEZ, G.: Acido Fólico y Vitamina B12 en la nutrición humana. Rev. Cuba. Aliment. Nutr.; no.12, vol. 2, Jul / Dic. 1998; p. 107-19.

ROSENFIELD, L. G. M et al. Recomendações profiláticas e terapêuticas na anemia. Boletim, vol. X, no. 149, 1988; p. 177-180.

SDEPANIAN, V. L.. et al. Limitação diagnóstica do exame físico na identificação de crianças com anemia. In: Rev. Assoc. Med. Bras. no, 42 , vol. 3: Jul / Set. 1996; p.169-74.

SIGULEM, D. M. Epidemiologia da Anemia Ferropriva na Infância. Boletim, no. 149, vol. X, 1988; p.103-107.

SILVA, P. H. & HASHIMOTO, Y. Interpretação Laboratorial do Eritrograma – Texto & Atlas. São Paulo: Lovise, 1999; p. 45-59.

SILVEIRA, M. M. Valores Hematológicos de Referência em uma População Adulta de Presidente Prudente. In: LAES & HAES, ano XIX, no. 110, Dez 1997 / Jan. 1988; p. 72-86.

TSUYUOKA, R. et al. Anemia and intestinal parasitic infections in primary scholl sudents in Aracaju, Sergipe, Brazil. In: Cad. Saúde Pública; no.15, vol. 2, Abr. / Jun, 1999; p. 413-21.

VILLAS BOAS, M. V. C. et al. Utilidade do RDW-SD como auxiliar na interpretação das alterações morfológicas dos eritrócitos. In: Labor News, no. 100, Fev. 2001; p. 16-18.

WINTROBE, M.M. et al. Hematologia Clínica. 4ª ed. Tomo I. Buenos Aires: Intermedica Editorial, 1970; p. 576.

ZAGO, M. A .et al. Hematologia – Fundamentos e Prática. São Paulo: Atheneu, 2001; p. 78-98.




 Formato para impressão  Recomende esta URL